sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Filtro dos sonhos


O nome, filtro de sonhos (ou dream catcher, em inglês), já seja bem sugestivo, nem todo mundo sabe exatamente para que servem estes belos objetos redondos, enfeitados de penas e de contas. 
Os dream catchers chegaram ao Brasil vindos dos EUA.  
Quase todas as tribos de índios americanos há muitos anos já os incorporaram às suas tradições. 
E as lendas sobre eles correm por toda parte.
Embora hoje todas estas nações indígenas produzam seus próprios dream catchers, a história dos filtros começa com os índios Ojibwe (ou Chippewa).


A história dos dream catchers


Os sonhos desempenhavam um papel fundamental na vida dos Ojibwe. 
Para este povo que vivia na região dos Grandes Lagos americanos e que hoje também se espalha por outras regiões do Novo México, aprender a decifrar as mensagens reveladas nos sonhos era a tarefa mais importante que as pessoas tinham durante sua passagem pela Terra.
Por causa disto, o dream catcher era uma ferramenta essencial.
O filtro de sonhos, como ficou conhecido em português, na verdade, não é um filtro, é uma teia. 
Os Ojibwe acreditam que, quando a noite cai, o ar se enche de sonhos, bons e ruins. 
Alguns destes sonhos, mesmo sendo pesadelos, podem conter uma mensagem importante do Grande Espírito para nós. 
Então, na verdade, estes sonhos são bons sonhos. 
Mas existem muitos outros sonhos e energias ruins flutuando à nossa volta e que não são nossos. Estes é que podem nos fazer mal. 
É justamente para separar estes sonhos e energias ruins que existem os dream catchers. 
A tradição manda que as teias coloridas sejam penduradas sobre o berço dos bebês e a cama das crianças. Os sonhos bons, sabendo exatamente aonde ir, conseguem passar pelo buraco central da teia, ao passo que os sonhos ruins ficam perdidos e acabam presos nos fios. 
Quando os primeiros raios de sol surgem, os sonhos maus desaparecem. 

Os círculos são feitos com ramos flexíveis de salgueiros e revestidos com tiras de couro.
Uma pena é colocada no centro, representando o ar ou a respiração, essencial para a vida. 
O bebê, observando a pena dançar ao vento, aprende uma lição sobre a importância do ar.
Além disto, a pena de coruja, feminina, simboliza a sabedoria. 
A pena de águia, masculina, serve para dar coragem.
Para captar os sonhos dos adultos, os dream catchers são trançados em fibra e não com ramos de salgueiros. Por isso são mais resistentes.
Como a Aranha deu a teia de sonhos para os seres humanos:




Existem muitas histórias relacionadas com aranhas e Mulheres-Aranhas entre as várias nações de índios americanos. 
Em muitas destas tradições, por exemplo, a Mulher-Aranha é um personagem fundamental e sábio, ora mensageira do Sol, ora avó do próprio Sol e organizadora da vida na Terra. 
Existem várias lendas relacionadas com os dream catchers. 

Uma das lendas:

Uma aranha fiava sua teia próximo à cama da avó (Nokomi). 
Todos os dias ela observava a aranha trabalhar. 
Alguns dias depois, o neto entrou e, ao ver a aranha na teia, pegou uma pedra para matá-la. 
Mas a avó não deixou. 
O garoto achou estranho, mas respeitou o seu desejo. 
A velha mulher voltou-se para observar mais uma vez o trabalho do animal e, então, a aranha falou: "Obrigada por salvar minha vida. Vou dar-lhe um presente por isso. 
Na próxima Lua nova vou fiar uma teia na sua janela. Quero que você observe com atenção e aprenda como tecer os fios. Porque esta teia vai servir para capturar todos os maus sonhos e as energias ruins. 
O pequeno furo no centro vai deixar passar os bons sonhos e fazê-los chegarem até você.
Quando a Lua chegou, a avó viu a aranha tecer sua teia mágica e, agradecida, não cabia em si de felicidade pelo maravilhoso presente: "Aprenda", dizia a aranha.
Finalmente, exausta, a avó dormiu. Quando os primeiros raios de sol surgiram no céu, ela acordou e viu a teia brilhando como jóia graças às gotas de orvalho capturadas nos fios. 
A brisa trouxe penas de pomba que também ficaram presas na teia, dançando alegremente e, por último, um corvo pousou na teia e deixou uma longa pena pendurada. 
Por entre as malhas da teia, o Pai Sol sorria alegremente. E a avó, feliz, ensinou todos da tribo a fazerem os filtros de sonhos. 

E até hoje eles vêm afastando os pesadelos de muita gente. 

Extraído do site Spiritual Network


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